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Entrevista o

Emanuel Monteiro, LIPOR

Convidámos o Emanuel Monteiro, gestor da unidade de educação e formação ambiental da LIPOR, para responder às perguntas colocadas pela comunidade.

entrevista Emanuel Monteiro
Emanuel Monteiro

Que iniciativas a Lipor tem no radar para aumentar a percentagem de lixo reciclado e promover a economia circular?

São múltiplos os projetos da Lipor e dos municípios associados que servem este propósito, e ainda que seja injusto não referir todos, o Projeto Reciclar é Dar+, que promove a recolha porta-a-porta de resíduos multimateriais e de biorresíduos nos setores Residencial e Não Residencial é uma das grandes referências nesta área. Outro bom exemplo é um dos nossos projetos mais recentes – Ecocentro Móvel – que desafia os cidadãos a reciclar resíduos que por hábito normalmente acabam no lixo, permitindo aumentar o seu período de vida útil ou proceder à sua Valorização. Estes dois exemplos contam com o cofinanciamento do Programa POSEUR. Mas como disse, estes são apenas exemplos de um conjunto de iniciativas e projetos que concorrem para este objetivo e que podem ser consultados em www.lipor.pt .

A Lipor trata ou recolhe os óleos alimentares usados?

Sim, damos uma segunda vida aos óleos usados. E, por isso, implementámos uma Rede de Recolha Seletiva supramunicipal de Óleos Alimentares Usados na nossa área de intervenção, em parceria com os nossos Municípios Associados e com a EGI – Gestão de Resíduos (entidade responsável pela recolha e valorização dos óleos alimentares usados, assim como pela manutenção e limpeza dos oleões). Neste endereço – Óleos Alimentares Usados – Lipor – podem encontrar a localização dos oleões na área Lipor.

entrevista Papel d'Ouro
Desperdício têxtil - Papel D'Ouro

Existe alguma iniciativa por parte da LIPOR para a recolha e reciclagem de têxteis?

A Lipor encontra-se, em parceria com os municípios associados, a definir uma resposta adequada para esse tipo de fluxo. Fiquem atentos! No entanto, nos municípios associados da Lipor, existem já respostas para a entrega de têxteis, respostas essas resultantes de acordos dos municípios com entidades que trabalham neste setor.

A otimização de recursos e o combate ao desperdício intensificados no período de pandemia conseguirão permanecer?

Considero que é o momento de fazermos dos problemas oportunidades e capitalizar este episódio mundial a favor do Ambiente. Nunca tivemos tanto tempo para refletir e reconhecer os nossos comportamentos e para perceber de que forma eles impactam o meio e as pessoas à nossa volta, pelo que estou convencido que desperdiçar este exercício único que tivemos ocasião de fazer seria colocar a Sustentabilidade no fundo da nossa lista de prioridades, o que não creio que aconteça. Acredito que sairemos desta Pandemia enquanto Cidadãos Ambientalmente e Socialmente mais responsáveis.

entrevista Projeto SÁBIO
Composto orgânico - Projeto SÁBIO

O que é necessário para termos uma solução eficaz para os resíduos orgânicos?

Hoje já existem soluções eficazes, circulares e sustentáveis para tratarmos os nossos biorresíduos. A compostagem caseira, a compostagem comunitária, a vermicompostagem ou a recolha seletiva desta fração de resíduos para a produção de um corretivo agrícola orgânico – Nutrimais – são apenas alguns exemplos de iniciativas promovidas pela LIPOR e municípios associados neste campo. Mas por mais soluções que existam, o segredo da valorização dos biorresíduos está na forma como compreendemos o seu ciclo de vida e reconhecemos o seu valor. A máxima de num primeiro momento evitar o desperdício e de, sempre que possível, devolver à terra este “ouro” que são os biorresíduos, deve estar sempre presente no nosso quotidiano.

Existem locais para entrega de resíduos orgânicos que produzimos diariamente em nossas casas? Se sim, fazem parte de uma rede nacional ou existem apenas enquanto projectos de entidades locais?

As soluções existentes na atualidade para a entrega dos nossos biorresíduos, têm por base iniciativas ou projetos promovidos pelos municípios, por entidades gestoras de resíduos ou até por entidades ou cidadãos particulares, não estando devidamente refletidos numa rede nacional e como tal não chegando de uma forma democrática a todos os cidadãos.

Ainda assim existem hoje algumas plataformas em que podemos consultar a existência de espaços de compostagem comunitária na nossa área de residência ou até mesmo, assumirmos nós a criação desse espaço envolvendo outros cidadãos. Partilho um exemplo de uma plataforma muito interessante – ShareWaste – Give your waste a second chance!.

Na área da Lipor existem igualmente espaços de compostagem partilhada, que estão disponíveis para integrar novos produtores de biorresíduos, sendo esta uma prática crescente, pelo que sugiro contactar os serviços municipais ou da entidade gestora de resíduos, para conhecer as soluções existentes na área de residência. Há muitas e boas iniciativas que estão a germinar e que muitas vezes estão ao virar da esquina 😊.

O que falta para termos depósitos de resíduos orgânicos junto aos restantes que existem pelas ruas?

Este é um desafio nacional que está a dar os primeiros passos através do desenvolvimento de projetos piloto que servirão de base ao seu alargamento. Sabendo-se das características biorresíduos, em particular no que respeita à sua rápida decomposição, é fundamental que as soluções implementadas respondam de forma eficaz às necessidades das operações de recolha e tratamento destes resíduos e também ao bem-estar da comunidade. É esse caminho sólido que está a ser efetuado e que permite que hoje, estes equipamentos já sejam uma realidade em alguns territórios.

A solução para os resíduos orgânicos também passa por dar recipientes próprios aos cidadãos?

Sim, uma das soluções técnicas para promover a reciclagem de biorresíduos, passa por atribuir equipamentos aos cidadãos para facilitar a sua participação no processo, seja por via da compostagem caseira/comunitária, da recolha seletiva porta-a-porta ou através de contentores de proximidade. Este é o caminho adotado pela Lipor até à data, contudo, há outro tipo de soluções técnicas em que a entrega de equipamentos aos cidadãos não é indispensável.

LIPOR
Embalagens de plástico - LIPOR

Como podemos influenciar as autarquias para que, mais rapidamente, implementem soluções para uma melhor reciclagem e valorização dos resíduos?

A sensibilidade das autarquias para os processos de Gestão Ambiental é hoje um dado muito presente na sua atividade, sendo a reciclagem e a valorização de resíduos uma prioridade assumida, não só pela responsabilidade ambiental que lhes é reconhecida, mas também porque existem metas nacionais e internacionais que têm de ser cumpridas. Em complemento, o contributo do cidadão para o cumprimento deste propósito é fundamental, assumindo um papel participativo, vigilante e interventivo em matéria de Ambiente. Os serviços municipais não podem estar em todo o lado e a toda a hora, por isso, considero que cada um de nós deve ser o primeiro agente de sensibilização e de informação junto dos municípios. Se todos assumirmos positivamente esta responsabilidade, estamos a cultivar boas práticas no nosso “m2”.

Parece existir um foco maior na educação ambiental junto do cidadão/consumidor. Não fará sentido trabalhar na mesma sensibilização junto da indústria e comércio que produz os produtos que os consumidores compram?

Por norma, a indústria e o comércio respondem diretamente a uma necessidade do consumidor, tendo este último o poder de aceitar ou rejeitar um determinado produto. Vivemos longos anos com esta justificação, sabendo que nem tudo estava a ser feito para contrariar uma tendência que claramente não respondia aos problemas ambientais que enfrentávamos. O emergir de cidadãos mais conscientes, do ecodesign e das tendências circulares, veio inverter um ciclo que parecia definido e trouxe ao setor da indústria e ao comércio a necessidade de se readaptar a estas tendências, fazendo chegar ao consumidor soluções mais sustentáveis.

Concordo que a Educação Ambiental teve durante alguns anos presa a convicções que limitaram a sua intervenção a públicos mais jovens, atribuindo-lhes a responsabilidade de carregar este enorme desafio às costas. Oportunamente, nos últimos 10 anos esta realidade tem vindo a mudar e sabe-se que se queremos promover uma real e consciente Literacia Ambiental da Comunidade, temos de assumir a Educação Ambiental como um processo dirigido a todas as idades, a todos os setores e com um carácter contínuo no tempo. Só assim estaremos mais perto de alcançar os resultados que pretendemos.

Até à próxima “Entrevista”

Obrigado pela vossa colaboração 🙏